FERNANDA ABREU
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Antes de subir ao palco, Fernanda Abreu bebe sempre champanhe gelado. Depois, quando ataca canções de uma carreira que leva já um quarto de século – no grupo pop Blitz e, agora, a solo –, a cantora brasileira transforma o frio da bebida num calor que abrasa quem se atrever a assistir a um concerto seu. Como os espectadores que no dia 7 de Junho se deslocarem ao lisboeta Teatro Tivoli.
Aos 45 anos, a carioca não hesita em continuar à procura da alquimia que junte num mesmo caldeirão os seus amores: o funk, o samba, o hip hop, o reggae, o manga beat… e tudo o mais que vier à rede, desde que tenha balanço, batida, sensualidade, aventura. Falamos aqui, é bom não esquecer, de um pioneira no uso dos samplers e da sua mistura com especificidades rítmicas e melódicas do Brasil. Mas Fernanda Abreu não é uma experiência apenas física: enquanto nos faz dançar, lança gritos de alerta sobre o seu país, e a sua cidade, esse Rio de extremos de riqueza e pobreza. Fernanda Abreu não quer só juntar os ritmos, quer juntar os corpos, quer sejam da favela, dos subúrbios ou das praias de cartão postal.
No concerto de Lisboa, a “Imperatriz do funk” faz um balanço de 25 anos de palcos , na senda do CD/DVD “Ao Vivo MTV”, gravado em 2006 no Rio de Janeiro. Nestas visitas ao passado, Fernanda Abreu volta sempre a um tema-fetiche, “Rio 40 graus”, e, passado um longo período de “luto”, também regressou ao legado da Blitz: em “Ao Vivo MTV” recuperou “A dois passos do Paraíso”, a balada country que não abordava desde 1986.
Fernanda Abreu afirma-se fã de Lauryn Hill e Stevie Wonder. Dia 7, oportunidade para, no Teatro Tivoli transformado numa grande pista de dança , perceber o que é ser uma artista definidora de geografias num imenso país mestiço . Fernanda Abreu, grande voz negra em corpo branco. |
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27 de Junho
Horário: 22.00
TIVOLI
Porto
Preço:
1ª Plateia €35
2ª Plateia €30
Frizas €30
1º Balcão Frente €27,5
1º Balcão Lateral €25
2º Balcão Frente €22,5
2º Balcão Lateral €20
Camarotes (5 lug) €27,5 |
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F
Psychic Ills (US)
CAVEIRA (PT)
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Psychic Ills
No contexto da sua primeira vinda a Portugal, a ZDB recebe os nova-iorquinos Psychic Ills. A música do trio mimetiza ondas massivas de drones psicadélicos, densos e hipnóticos, embrulhadas à volta de rebuçados de ruído branco. A trip proto-shoegazer dos My Bloody Valentine ou Spacemen 3 é referência crucial, a par do garage-rock narcótico dos Velvet Underground ou 13th Floor Elevators. Pontos de contacto mais contemporâneos podem ser encontrados nas mutações rítmicas dos também nova-iorquinos Excepter, Gang Gang Dance ou Blues Control. Os Psychic Ills editam pela Social Registry (casa dos Gang Gang Dance e Samara Lubelski, entre bastantes outros), através da qual lançaram o excelente “Dins”, em 2006. “Early Violence”, o álbum mais recente, reúne “Mental Violence I” e “Mental Violence II”, dois trepidantes 12” entretanto esgotados.
CAVEIRA
“Querem saber quem são os CAVEIRA? Os CAVEIRA são groove metálico, são rock de dança, são música para o corpo bailar entre os amplificadores e o riffs. Desde 2003 que, por onde passam, deixam rastos de electricidade, combustão e improviso. (...) Os CAVEIRA são hard-rock partido. São Blue Cheer, Black Sabbath, Melvins, são Sonic Youth, são Keiji Haino, são free-jazz. Os CAVEIRA dão-nos silêncio, ruído, distorção, ritmo e melodias que brilham escondidas. Dão-nos música bonita. Com desbunda na cabeça e nos ouvidos. São, à falta de melhor termo, música portuguesa, mas podiam viver nos Estados Unidos. E têm um tema chamado “Fui a Sacavém” onde a bateria suga os outros instrumentos e o chão treme." José Marmeleira.
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27 de Setembro
Horário: 23.00
GALERIA ZÉ DOS BOIS
Rua da Barroca, nº 59 - Lisboa
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Out_pop_sessions
António Contador + Calhau! (PT)
António Contador & The Black Whistler (PT)
Calhau! (PT)
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António Contador & Calhau!
Apresentação da Nossa Senhora de Fátima Machine (concerto com os pés):
Nossa Senhora de Fátima Machine foi criada pelo trio António Contador e Marta e Alves von Calhau! em Julho de 2007 a partir do fóssil de uma máquina de meditação budista (também conhecida por The Buddha Machine) da dupla de artistas Christian Virant e Zhang Jian (também conhecidos por FM3). Tínhamos o desejo íntimo de conceber uma máquina, não tanto que meditasse como a dita Buddha Machine, mas que alucinasse. Invocámos então o sol psicadélico que fecundou a aparição de Fátima a 13 de Maio de 1917 (ver www.santuario-fatima.pt) e abrimos a Buddha Machine. Curto-circuitámos o seu programa, manobrando com os pés o seu princípio básico de andar por aí pelas lojas e pelos ouvidos daqueles e daquelas que acreditam que existem budas dentro de caixas de plástico. O buda da Buddha Machine foi então substituído pela fátima da Nossa Senhora e o som que antes saía de lá não saiu mais. Se não acreditam vejam o vídeo, que ele diz muito sobre a nossa habilidade técnica para fazer halucinar aparelhos electrónicos com os pés. Texto dos artistas
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28 de Setembro
Horário: 23.00
GALERIA ZÉ DOS BOIS
Rua da Barroca, nº 59 - Lisboa
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Isto_é_o_bairro_sessions
Os N'Gapas (AO)
Ritchaz & Kéke (CV)
Kotalume (CV)
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Uma realidade existente longe da atenção de uma grande fatia do público e media caucasianos, a música dos que voltaram das antigas colónias após o fim da guerra e dos seus filhos e dos filhos dos seus filhos, não só tem vindo a sobreviver, como vai desbravando novos trilhos e provocando algumas das músicas urbanas mais frescas no Ocidente ou onde quer que seja. Os três projectos aqui apresentados, provenientes de Cabo Verde e Angola, são só uma amostra de um universo que, à maioria da Lisboa branca, vai permanecendo invisível, mas prova provada de que rasgo e inovação em música de dança estão muito mais perto do que tantos pensavam. A revolução social que os beats dos Buraka Som Sistema e Petty conseguiram nos últimos meses constituem os primeiros passos largos do que se quer verdadeira integração, constante demolição de preconceitos colonialistas e medos infundados que só propagam o afastamento. Três possibilidades daquilo a que se vai podendo assistir nos clubes, nas discotecas e nos bairros mais periféricos de Lisboa e arredores, onde já vamos tarde em olhar, mas não tarde demais. Dia 29 no Bairro Alto, tudo fica um pouco diferente mais uma vez.
Os N'Gapas
Os N'Gapas do Monte Abrãao apresentaram-se ao mundo o ano passado com "Um Por Todos", hino carismático que começou a levar Motorola, Puto Adidax, Puto Chano e Best One às pistas de Lisboa e arredores. É uma de outras faixas produzidas por um dos membros da trupe angolana dos Garimpeiros (as outras, das quais ainda só escutámos os instrumentais, prometem cada vez mais), evidenciando o kuduru frenético e hiperactivo que os vem caracterizando, para além de algumas incursões na tarrachinha. Têm ainda colaborado com o DJ Marfox, e a sua faixa 'O S', foi produzida pelo Conductor (Buraka Som Sistema, Conjunto Ngonguenha). Planeiam domínio absoluto do mundo, ao que
parece.
Ritchaz & Kéke
Ritchaz e Kéke, da Outorela/Portela, estreiam na ZDB o seu híbrido carismático de batidas de kizomba e zouk, com flow de hip hop em crioulo caboverdiano, com linhas de baixo sintetizado influenciadas por reggae. Música de balanço com consciência racial, social e artística, igualmente preocupada em mudar o que é para mudar, mantendo a festa a funcionar e o positivo num pedestal. Tudo o que ouvimos deles são diamantes, e 'Si Mé Mi N'sta Feliz' tem sido hit no escritório, no carro e a todos a quem a mostrámos. Espírito, anca e cabeça no sítio certo a fazer avançar as formas em busca do original.
Kotalume
Projecto de Adilson Moreno, dedicado a produções de funaná electrónico, funaná ao estilo de Ferro Gaita e kizomba. A voz de Adilson, de um monocordismo estranhamente festivo, regula os beats, com quem tem vindo a trabalhar sozinho e com o DJ Marfox (produtor e disc jockey dedicado ao kuduru, funaná e house e outros idiomas de pista). É precisamente a fusão entre os últimos dois géneros que nasce um dos temas mais explosivos de Kotalume, 'Dor Ku Fomi', é na fusão dos ritmos do funaná e em linhas de sintetizador mais reminiscentes do grime (mesmo de forma inconsciente) do que outra coisa que nos tenha passado pelos ouvidos, que está o segredo do movimento imparável deste som.
Textos Filho Único
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29 de Setembro
Horário: 23.00
GALERIA ZÉ DOS BOIS
Rua da Barroca, nº 59 - Lisboa
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